quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

EXODO - A CONSTITUIÇÃO DE ISRAEL


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Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão” (Êxodo 20:2). 

Estas palavras, faladas no monte Sinai antes de Deus pronunciar os dez mandamentos, resumem bem a mensagem central do segundo livro da Bíblia. Êxodo, o título comum deste livro, se refere à saída dos israelitas do Egito depois de gerações naquele país, a última parte deste período na condição de escravos. O livro é atribuído a Moisés e se mostra importante para entender o papel deste líder na formação da nação de Israel 3.500 anos atrás.
Um dos principais objetivos do livro de Gênesis foi explicar as raízes do povo judeu como descendentes do patriarca Abraão. Iniciando com um resumo rápido das mudanças mais importantes nas gerações depois de José, o livro de Êxodo então foca o estabelecimento da nação de Israel durante a vida de Moisés.
Depois dos primeiros dois capítulos, que incluem uma narração rápida dos primeiros 80 anos da vida de Moisés, o resto do livro relata os acontecimentos durante um período de um pouco mais de um ano. Durante este período, Deus constituiu a nação de Israel, cumprindo uma das três partes da promessa feita a Abraão séculos antes (veja Gênesis 12:1-3).
Quando uma nova nação é formada, é comum a preparação de algum documento que define os princípios pelos quais o povo será governado. Conhecemos este documento como constituição. Podemos olhar para o livro de Êxodo, especialmente o trecho começando com os dez mandamentos (capítulo 20 em diante) como a constituição da nação de Israel. A partir deste capítulo, Deus anuncia ao povo os princípios desta teocracia. Esta parte da revelação de Deus teve um grande impacto no futuro do povo judeu, e tem influenciado sistemas de lei adotados por muitas outras nações ao longo dos últimos 3.500 anos.
No livro de Êxodo, encontramos a narração dos seguintes acontecimentos importantes:
Capítulo 1 fala da circunstância do povo de Israel na escravidão no Egito, servindo como ponte de ligação entre José e Moisés.
Capítulo 2 resume os primeiros 80 anos da vida de Moisés e explica o motivo de ele ficar longe do seu povo.
Capítulos 3 e 4 contêm a história do início da missão de Moisés. Ele foi equipado por Deus para uma tarefa exigente de libertar o povo do faraó (rei) egípcio e conduzi-lo à terra prometida séculos antes aos patriarcas.
Capítulos 5 a 14 falam do sucesso de Moisés, guiado por Deus em cada passo, em vencer o rei e os deuses do Egito para livrar os israelitas da escravidão.
Capítulos 15 a 18 relatam a história das primeiras semanas da viagem deste povo depois do livramento da escravidão, no trajeto do Egito para o monte Sinai.
Capítulos 19 a 40 registram os principais acontecimentos dos próximos 10 meses, terminando um mês antes da saída do povo do monte Sinai. Nestes capítulos, lemos sobre: a revelação da Lei de Deus por meio de Moisés, incluindo as instruções sobre o tabernáculo, seus móveis e o sacerdócio da família de Arão (capítulos 19 a 31); o grave erro de Arão e o povo em fazer um bezerro de ouro (capítulos 32 e 33); a segunda revelação da Lei a Moisés (capítulo 34), a preparação e montagem do tabernáculo, o templo móvel que seria usado durante o resto da viagem para a terra prometida (capítulos 34 a 40).
O livro de Êxodo encerra com a descrição da presença de Deus no tabernáculo, mostrando a grande bênção da comunhão entre o Senhor e seu povo escolhido.



Dennis Allan






quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

GENESIS




A Bíblia é um livro de livros. É uma pequena biblioteca de livros escritos ao longo de 1.500 anos ou mais por aproximadamente 40 autores em três idiomas e em vários países. Nas Bíblias que usamos hoje, estes livros não seguem uma ordem cronológica. São organizados mais ou menos por tipo de livro em agrupamentos de livros históricos, poéticos, proféticos, etc. 

Para muitos leitores, o estudo da Bíblia se torna mais difícil por não se ter noção de como compreender estes escritos no seu contexto. E muitas das doutrinas erradas no mundo religioso vêm de abuso de textos bíblicos que são interpretados sem respeitar seu contexto.

Esta é a primeira de uma série de resumos dos livros da Bíblia. Cada artigo desta série terá o objetivo de resumir a mensagem de dois ou mais livros no seu contexto histórico. A ênfase será nas informações bíblicas, especialmente as informações internas (muitos dos livros bíblicos incluem todas as informações necessárias para colocá-los nos seus contextos históricos). Além de considerar as perguntas óbvias de contexto (quem escreveu, para quem e quando), vamos também prestar atenção no conteúdo de cada livro de forma resumida.

O uso ideal destes artigos será como incentivo para a leitura bíblica. Mesmo os maiores livros da Bíblia podem ser lidos em pouco tempo, e seria ótimo se o leitor aproveitasse estes resumos para iniciar a leitura do livro em questão. Por exemplo, depois de ler o resumo de Gênesis, leia este primeiro livro da Bíblia. Para lê-lo em uma semana, teria de ler uma média de 7 capítulos por dia – nada difícil. Depois de ler sobre Êxodo, a leitura de 6 capítulos por dia será suficiente para conhecer o conteúdo em apenas uma semana. Quando chegar aos livros pequenos (há vários com apenas um, dois ou três capítulos), pode aproveitar aquelas semanas mais “leves” para voltar e ler novamente os trechos que achar especialmente interessantes.

Antes de entrar nestes resumos livro por livro, ajudará olhar para o conteúdo da Bíblia de uma forma geral. Se você abrir a Bíblia e olhar para o índice geral, perceberá duas partes principais: o Antigo e o Novo Testamento. 

O Antigo começa com Gênesis, e relata a história da interação de Deus com os seres humanos desde a criação até a restauração dos israelitas à sua terra depois do cativeiro babilônico, poucos séculos antes de Cristo. Esta parte da Bíblia inclui livros que transmitem a Lei de Deus aos judeus, livros que contam a história daquele povo escolhido, livros de sabedoria que ensinam vários princípios importantes para a vida e diversos livros proféticos que contêm mensagens para o povo da época, além de revelações dos planos de Deus para épocas posteriores.

O Novo Testamento é bem menor, e consiste em livros escritos durante um período de aproximadamente 60 anos depois da morte de Jesus. Os primeiros quatro livros são relatos paralelos e complementares da biografia de Jesus, conhecidos como evangelhos. O livro de Atos conta alguns fatos da história da igreja primitiva guiada pelo ensinamento dos apóstolos, com destaque no trabalho de Pedro entre os judeus e de Paulo entre outros povos. O restante do Novo Testamento é uma coletânea de cartas escritas a várias igrejas e indivíduos. Estas cartas foram escritas pelos próprios apóstolos e outros autores escolhidos por Deus a fim de instruir seu povo, os discípulos de Jesus Cristo.

Com esta introdução, começamos a nossa jornada pelas páginas destes livros fascinantes. Na leitura das Escrituras, veremos as características de Deus, com ênfase no seu amor e na sua santidade. Veremos as reações dos homens ao Criador, tanto dos fiéis e obedientes quanto dos rebeldes e desobedientes. Em todos estes casos, haverá lições para o nosso bem. Contudo, para receber o benefício destes estudos, é preciso desejar a palavra como um bebê deseja leite: “Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências, desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação, se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso” (1 Pedro 2:1-3).

Gênesis: O Livro dos Começos

No princípio. Estas são as primeiras palavras do primeiro livro nas nossas Bíblias. A partir desta introdução, o relato descreve em termos muito resumidos a criação do universo e a história dos primeiros seres humanos. O livro de Gênesis abrange um período de tempo maior do que qualquer outro dos livros bíblicos, e apresenta informações fundamentais para compreender os demais. Vamos conhecer um pouco deste livro.

Gênesis é um dos livros atribuídos a Moisés, personagem importante dos quatro livros seguintes. Serve para explicar ao povo judeu suas raízes genealógicas e, mais importante, o propósito de Deus para este povo. Este livro responde, também, a questões naturais de pessoas de quaisquer nações que buscam entendimento de suas origens e da vontade do seu Criador.

Vamos ver, resumidamente, o conteúdo dos capítulos de Gênesis.

Capítulos 1 e 2 falam sobre a criação do universo pela palavra de Deus. O autor não apresenta argumentos filosóficos nem explicações científicas deste processo. Ele afirma que Deus falou e, pela força da sua palavra, criou todas as coisas. O primeiro capítulo descreve a criação geral, e o segundo volta a destacar mais detalhadamente o que Deus fez para criar o homem e a mulher, o casal que passa a ser conhecido como Adão e Eva. Deus criou este casal com a capacidade de compreender palavras faladas e de escolher entre o amor e o ódio. O amor seria manifestado em atos de obediência para agradar o Criador, enquanto a rebeldia seria prova do desrespeito para com ele. Descobrimos no capítulo 2, também, a vontade de Deus sobre o casamento. Antes de existir qualquer tipo de igreja ou religião organizada, Deus explicou sua intenção de um homem e uma mulher se unirem no casamento (Gênesis 2:24; compare com Marcos 10:5-8).

Capítulos 3 a 5 destacam a separação do homem de Deus em consequência do pecado. Adão e Eva desobedeceram à palavra de Deus e sofreram várias consequências deste erro. O mais grave dos resultados foi a separação de Deus na expulsão do casal do paraíso terrestre do Éden. Depois, outros também pecaram e sofreram o efeito dos seus atos.

Capítulos 6 a 9 relatam um dilúvio mundial que Deus usou para limpar o mundo do pecado e começar novamente com a família de Noé. Oito pessoas foram salvas pela água (1 Pedro 3:20).

Capítulos 10 e 11 descrevem a dispersão dos descendentes de Noé após o dilúvio. Estes foram espalhados pela confusão dos idiomas que Deus fez quando alguns tentaram se exaltar contra o Senhor. No final do capítulo 11, a lista dos descendentes de Noé chega a Abraão, que será o personagem principal até o fim do livro de Gênesis.

Capítulos 12 a 50 contam a história de quatro gerações da família pela qual Deus prometeu cumprir seus propósitos para com os homens. Deus prometeu fazer dos descendentes de Abraão uma grande nação que receberia uma terra especial. Mais importante, ele disse que um dos descendentes deste patriarca abençoaria todas as famílias da terra. Esta profecia de Gênesis 12:1-3 predisse a vinda de Jesus Cristo cerca de 2.000 anos antes do seu nascimento. Nestes capítulos, aprendemos sobre a fé obediente de Abraão, Isaque, Jacó e José e descobrimos como esta família chegou ao Egito, onde passou gerações na escravidão. Desta maneira Moisés apresentou o pano de fundo para o povo israelita de sua geração, a fim de que compreendessem seu lugar no plano de Deus.


Uma das principais mensagens do livro de Gênesis foi bem resumida em um comentário no Novo Testamento sobre os patriarcas: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria” (Hebreus 11:13-14). O primeiro livro da Bíblia está cheio de esperança!



–por Dennis Allan







terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

NOSSAS BOAS OBRAS DEVEM SER VISTAS POR OUTROS OU ESCONDIDAS?






Duas orientações dadas por Jesus na mesma mensagem parecem contraditórias e, por isso, exigem nossa atenção redobrada.

Ele disse: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste” (Mateus 6:1). O Senhor reforçou esta advertência com uma série de exemplos (esmolas, orações e jejuns). Ele criticou as pessoas que fazem suas boas obras para serem vistas e honradas pelos outros.

Porém, alguns minutos antes, Jesus havia dito: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:16).

Ele se contradisse? Como entender estas instruções?

Em uma leitura superficial, seria fácil concluir que Jesus tivesse caído em contradição, mas uma leitura mais cuidadosa corrige esta interpretação errada. 

A questão em ambas as orientações é de honra e glória ou, melhor, de quem recebe a glória.

Quando os discípulos de Cristo fazem suas boas obras, outros vão perceber. Se a motivação e a conduta destes cristãos forem corretas, Deus será glorificado pelo impacto da sua palavra na vida das pessoas convertidas. Este é o sentido de Mateus 5:16. Faça as boas obras para que os outros glorifiquem a Deus.

Mas as mesmas boas obras podem ser feitas por outro motivo, totalmente contra a vontade do Senhor. Os exemplos cita-dos em Mateus 6 são de pessoas que agem, não para honrar o nome de Deus, e sim para receber a honra para si. Ao invés de dirigir a atenção para o céu, estas pessoas mandam tocar trombetas para chamar atenção para suas obras recebendo, assim, a glória que é devida ao Senhor.

As palavras de Jesus em Mateus 6:3 avisam, ainda, de outro perigo: o orgulho de sentir-se bem por ter feito alguma obra. Ele disse: “Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita”. Não devemos registrar a conta das nossas boas obras para achar algum mérito por nossos feitos.

 Em outra ocasião, Jesus ofereceu esta perspectiva sobre o nosso serviço: “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lucas 17:10).

Resumindo, podemos concluir sobre quaisquer “boas obras” que realizamos:

1) A honra e glória pertencem a Deus e somente a Ele.

2) Nunca devemos procurar a honra para nós.

3) Nunca devemos nos achar merecedores de glória!

Que Deus, e somente Ele seja louvado!





por Dennis Allan






sábado, 17 de fevereiro de 2018

É ERRADO PARTICIPAR DE COMEMORAÇÕES SOCIAIS E FAMILIARES?





É comum para pessoas sinceras enfrentarem algumas dúvidas sobre práticas comuns como participação de feriados nacionais, comemoração de casamentos, aniversários de nascimento, etc. 

Há vários fatores que geram tais perguntas. 

Primeiro, pelo estudo das Escrituras aprendemos a importância de agir conforme a vontade de Deus (Colossenses 3:17; 1 Coríntios 4:6; etc.). 

Segundo, não queremos ser contaminados pelas coisas do mundo (Tiago 1:27), e facilmente identificamos elementos contaminados em festividades que enfatizam a sensualidade, bebedices, etc. 

Terceiro, alguns grupos religiosos especificamente proíbem comemorações de aniversários de nascimento.

É pecado participar de comemorações sociais e familiares?

Para responder a esta pergunta, devemos primeiro lembrar de uma distinção entre a casa de Deus e as nossas próprias casas. 

A igreja é a casa de Deus (1 Timóteo 3:15), e as atividades da igreja devem ser limitadas àquelas que o chefe da casa autorizou na sua palavra. Não estamos falando aqui de fazer festas de aniversário ou de outras comemorações sociais como obras da igreja. Há responsabilidades que pertencem à família carnal e não à igreja (1 Timóteo 5:16 ilustra esta distinção prática). 

Neste artigo, não estou sugerindo que igrejas façam festas deste tipo, estou tratando de comemorações no contexto familiar e social.

Na Bíblia, servos fiéis a Deus participavam de comemorações sociais e familiares. Desde o livro de Gênesis, era comum comemorar casamentos com banquetes especiais (Gênesis 29:21-23). 

O próprio Jesus participou de comemorações deste tipo (João 2:1-2). 

Famílias fiéis comemoravam outros eventos importantes, como o desmamamento de um filho (Gênesis 21:8). 

Não temos registro específico de servos de Deus comemorando aniversários de nascimento, mas sabemos que registravam os anos de vida (Gênesis 21:5; 25:20,26; etc.). 

Alguns citam pecados cometidos no contexto de festas de aniversário (por exemplo, Herodes mandou matar João Batista durante sua própria festa de aniversário – Marcos 6:21-27). Mas este raciocínio poderia ser usado para condenar alguém que senta na casa do outro (1 Samuel 19:9-10) ou até para condenar reuniões de irmãos em Cristo (Atos 5:1-10).

Quanto a outras comemorações sociais, encontramos o exemplo de Jesus indo para Jerusalém para a Festa da Dedicação, um feriado nacional instituído pelos judeus no 2º século a.C. (João 10:22-23).

Não devemos criar festas, que Deus não autorizou, na sua igreja, e não devemos nunca participar de práticas imorais e indecentes, mas não temos base bíblica para condenar a mera participação com familiares e compatriotas em festas e comemorações comuns e decentes.

por Dennis Allan







sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

COMO DEVEMOS ENTENDER AS BEM-AVENTURANÇAS?




Seria difícil imaginar uma pregação mais revolucionária ou mais importante do que o Sermão do Monte, relatado em Lucas 6 e, na versão mais completa, em Mateus 5, 6 e 7.

 Jesus já estava pregando o evangelho do reino (Mateus 4:23) quando sentou num monte na Galileia e começou a falar algumas das palavras mais desafiadoras de todos os tempos.

Ele introduz esta mensagem com uma lista de qualidades espirituais conhecidas como as bem-aventuranças (Mateus 5:3-12). Nestes versículos ele diz que os abençoados no reino de Cristo são: os humildes/pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os perseguidos.

Vale a pena estudar o significado de cada qualidade para compreender melhor este desafio, mas neste artigo quero comentar sobre o valor geral destes versículos como um todo. Algumas sugestões para ajudar no entendimento das bem-aventuranças:

(1) Não devem ser tratadas separadamente, ou seja, não deve imaginar que teria algum benefício em chorar sem ser misericordioso, ou em ser perseguido se não tiver fome e sede de justiça. Jesus lança um desafio importante: cultivar todas estas qualidades em nossas vidas.

(2) Não são qualidades naturais. Jesus não descreve pessoas que são naturalmente choronas ou mansas. Ele fala das disposições de corações aptos para o reino dele. São características espirituais que exigem autonegação na vida de cada discípulo.

(3) Não devem ser entendidas em termos materiais. O reino de Cristo é espiritual, não uma nação física com fronteiras geográficas. Ele fala de pessoas humildes ou pobres de espírito, uma atitude que não tem nada a ver com sua situação financeira. Ele não fala de pessoas que negociam tratados entre países, mas de pessoas que contribuem à paz entre o pecador e seu Criador. No mesmo sentido, as bênçãos mencionadas nestes versículos devem ser entendidas como descrições da abençoada comunhão com o Senhor, e não como promessas materiais. Não devemos imaginar a ocupação perpétua deste planeta, mas devemos buscar e manter comunhão com seu dono!

Para ter o privilégio de participar do reino de Jesus Cristo, precisamos desenvolver as qualidades descritas nas bem-aventuranças.


por Dennis Allan









quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O MILAGRE DE PENTECOSTES OCORREU NA LÍNGUA OU NOS OUVIDOS?




Sete semanas depois da morte de Jesus, o evangelho foi pregado em Jerusalém e quase 3.000 pessoas foram convertidas ao Senhor em um só dia. 

A divulgação das boas novas começou de uma forma impressionante. No começo do relato (que se encontra em Atos 2), o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos capacitando-os com poderes para anunciar a sua palavra.

 Um som do céu chamou a atenção das pessoas na cidade, e correram para saber o que estava acontecendo. O relato diz: 

". . . porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua". Perguntaram entre si: "E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?" (Atos 2:6,8).

Muitas pessoas explicam este milagre como algo que teria acontecido nos ouvidos de cada pessoa presente, imaginando que os apóstolos tivessem falado no seu próprio idioma, e que cada ouvinte tivesse ouvido no seu. 
Há vários motivos para rejeitar tal interpretação e concluir que o milagre aconteceu nos próprios falantes, e não nos ouvintes. Considere:

1) O texto já responde à pergunta quando diz claramente: "e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem" (Atos 2:4).

2) Os ouvintes entenderam que o milagre estava nos falantes, e até tentaram explicar como aqueles homens simples poderiam falar assim (Atos 2:7-8,13).

3) O propósito deste e outros milagres não foi apenas impressionar as pessoas com alguma coisa extraordinária na vida de cada uma delas, e sim de confirmar a palavra falada pelos apóstolos (Marcos 16:20; Hebreus 2:3-4; 2 Coríntios 12:12). 

Os milagres serviam como carimbo de autoridade divina nas mensagens pregadas pelos apóstolos e outros no primeiro século.

No dia de Pentecostes, os homens que pregaram o evangelho falaram em várias línguas, que eram idiomas.


–por Dennis Allan







VOCES SÃO SANTIFICADOS!




Tornar-se cristão é o resultado da escolha de sair do mundo para ser identificado como um filho de Deus. O cristianismo é um estilo de vida em que se tenta “andar na luz” (1 João 1:6–9) e ser um “imitador de Deus” (Efésios 5:1). 

Imitar Deus requer submissão total. É um processo de amadurecimento e crescimento semelhante ao de um bebê num adulto (Efésios 4:15; 2 Pedro 3:18). 

Quando um cristão amadurece, sua mente, decisões e atos se transformam no que Deus deseja (veja Romanos 12:1, 2). Embora ele não se torne instantaneamente maduro, ele começa a viver e pensar como um seguidor de Deus maduro (1 Coríntios 14:20). 

Por que essa mudança imediata é necessária? 

Por que o novo convertido precisa parar imediatamente com certas práticas e começar a mudar seu modo de pensar conformando-os com a vontade de Deus? 

A razão é simples: ele foi “santificado”. 

O termo “santificado” é um conceito bíblico relevante. Está associado a um objeto, um lugar ou uma pessoa que foi separada para o uso exclusivo do Deus todo-poderoso. 

Tudo o que era “santificado” debaixo da lei de Moisés não poderia ser usado para um propósito comum. Os dois sacerdotes de Levítico 10:1–3 não respeitaram essa “separação” e foram destruídos. Deus enfatiza que o Seu povo precisa se conduzir segundo uma nova vida de santificação. 

Agora que você é cristão, você é “santificado”. 

Isto lhe causa medo? 

A santificação é ilustrada por uma prática em Israel. Os judeus tinham de dar o dízimo de tudo que possuíam a Deus. Era costume o judeu separar um décimo de suas ovelhas para ofertar a Deus. Isso era realizado por um procedimento interessante. Os cordeiros eram separados das mães e depois eram confinados num aprisco com uma única saída estreita. Do outro lado do portão, ficavam as mães. De vez em quando o portão era aberto e os cordeiros corriam para junto das mães. Um homem ficava ao lado da saída com um cajado mergulhado numa tinta mineral chamada “ocher”. Quando o décimo cordeiro de cada grupo passava, o homem o marcava com o cajado de tinta (veja Levítico 27:32). No momento da marcação do animal, o homem dizia: “Que seja santo”. 

O profeta Ezequiel usou essa antiga prática para ensinar santificação: 

“Far-vos-ei passar debaixo do meu cajado e vos sujeitarei à disciplina da aliança” (Ezequiel 20:37). 

As palavras do profeta eram claras: os que eram santificados entraram em aliança com o Senhor (veja Jeremias 33:13.) 

Ser santificado não é opcional. Como cristão, você foi marcado como propriedade exclusiva de Deus. Você foi redimido pelo sangue de Cristo e pertence a Deus (Tito 2:14). Por isso, você precisa viver a vida santificada. 

Nos capítulos 4 a 6, os cristãos são especificamente instruídos a fazer certas coisas e evitar outras. Nas próximas três lições do capítulo 4, veremos a instrução de Paulo que mostra como um cristão faz escolhas, serve na igreja do Senhor e desfruta o novo estilo de vida. A exposição a seguir descreve a santificação que é uma parte tão crucial da vida cristã.

O SIGNIFICADO DA SANTIFICAÇÃO

Embora o termo “santificação” não seja comumente usado, ele é explicado e ilustrado na Bíblia. 

Basicamente, “santificar” significa “separar “Vocês são santificados!” para um uso especial”. É a tradução do mesmo termo do qual a palavra “santo” deriva. 

Um objeto, uma pessoa ou um lugar santo possui uma qualidade especial. Associamos o termo “santo” a Deus. Quando um objeto ou lugar é santo, ele é especial e é propriedade do Deus todo-poderoso. 

Quando uma pessoa se torna cristã, ela se torna uma propriedade especial de Deus (Tito 1:11–14). O cristão precisa entender que, agora, ele pertence a Deus. 

A santificação é exemplificada pelo rei Josias em 2 Reis 23. Esse bom rei estava disposto a se submeter à Palavra de Deus (v. 2). Após ouvir a verdade de Deus, “o rei se pôs em pé junto à coluna e fez aliança ante o Senhor, para o seguirem, guardarem os seus mandamentos, os seus testemunhos e os seus estatutos, de todo o coração e de toda a alma, cumprindo as palavras desta aliança, que estavam escritas naquele livro...” (v. 3). O rei Josias estava determinado a viver uma vida santificada seguindo a Palavra de Deus. Ele estava ansioso por obedecer aos mandamentos de Deus. O rei não hesitou, não tentou modificar o que era exigido, nem contestou os mandamentos. Ele guardaria os mandamentos de Deus “com todo o seu coração e toda a sua alma”. 

Que exemplo encorajador! 

Agora que você é cristão, é exatamente assim que você deve viver a vida de consagração. Dê todo o seu coração e toda a sua alma a essa tarefa. 

Paulo ilustrou o conceito de santificação ao escrever aos cristãos de Corinto. Ele se dirigiu a essa congregação como “aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos” (1 Coríntios 1:2). Isso revela que quem se torna cristão é santo. 

Por que todos os cristãos são santos? 

Quando uma pessoa se converte, ela é comprada pelo sangue de Cristo e se torna propriedade de Deus. É “separada” ou “santificada” para o uso exclusivo de Deus. Santo não é uma pessoa falecida que viveu uma vida espiritual extraordinária ou realizou algum ato sensacional. 

Os coríntios foram “chamados para ser santos”. O “chamado” deles se deu quando ouviram o evangelho pregado, creram, confessaram, arrependeram-se e foram imersos. (Veja Romanos 10:9–16.) Mais tarde, Paulo escreveu que esses cristãos foram “lavados”, “santificados” e “justificados no nome do Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 6:11). A salvação ocorre quando a pessoa é “justificada” perante Deus (Romanos 5:1, 9; 8:30). Os coríntios só foram “justificados” quando foram “lavados” (imersos, ou batizados, para o perdão de seus pecados). No momento da imersão, fomos igualmente lavados, santificados e justificados. As Escrituras ensinam que a santificação ocorre na imersão. Outra ilustração da santificação é citada em Efésios 5:26. Jesus cristo santificou a igreja (Sua noiva). Somente os que estão na igreja do Senhor são santificados para Deus porque Cristo só santificou a igreja. 

Grupos civis e organizações religiosas podem realizar boas obras e ter boas reputações, mas eles são incapazes de santificar. Quem quer ser santificado (salvo) precisa estar na igreja do Senhor. 

O termo grego hagiazo refere-se àquilo que foi purificado ou transformado em santo. Quando você se tornou um cristão, você foi imerso no corpo de Cristo (Sua igreja; Colossenses 1:18) e nesse momento foi santificado porque foi salvo. 

Quando uma pessoa se torna cristã, ela é santificada para o uso de Deus. Ela reconhece que não pode viver como quem está no mundo. A atitude de arrependimento fez ela se virar para a direção de Deus. Ao seguir as instruções de Deus, ela vive uma vida santificada porque obedeceu ao evangelho, foi imersa para a remissão dos pecados e, assim, foi colocada na igreja do Senhor.

A EXPRESSÃO DA SANTIFICAÇÃO

A santificação se expressa pelo nosso viver como “santos”. Infelizmente, a conotação atual de viver como um santo impede que a maioria entenda esse conceito bíblico. 

As Escrituras ensinam que santo é todo cristão dedicado a viver uma vida de santidade. A prática da vida santa é de dedicação a Deus. Através do seu estilo de vida, o cristão procura glorificar a Deus em cada palavra e ação. 

Viver uma vida santificada significa ser um cristão dedicado a Deus e estar tentando viver como Deus instrui. A vida santificada é descrita em 1 João 1:6–9 como uma vida comprometida com o “andar na luz” da verdade revelada por Deus. Quando o santo peca, é possível ele obter perdão — se ele confessar seu pecado! Todo mundo peca, mas Deus perdoa o cristão quando este confessa e se arrepende do pecado. O perdão requer que a pessoa arrependida pare de praticar o pecado. A idéia principal é que o cristão não deve viver na “prática do pecado” (1 João 3:8, 9). 

O verbo grego indica que o cristão não deve continuar pecando como ele fazia antes de conhecer a Cristo. Antes da conversão, o convertido vive numa atitude descuidada em relação ao pecado. Após a conversão, ele reconhece que essa despreocupação com o pecado precisa parar. Embora seja impossível viver sem pecar (1 João 1:10), é imperativo que na vida cristã haja uma atitude diferente em relação ao pecado. Esse contraste dramático é ilustrado em 1 João 3:1–10. A vida do cristão é dedicada a ser santo, enquanto os que estão no mundo se dedicam a praticar o pecado. 

O resultado prático de ser santificado é que tudo muda! (Veja 2 Coríntios 5:17.) 

O cristão precisa certificar-se de que ele separou seus pensamentos e atitudes para o serviço de Deus. Quem não purifica os pensamentos não vive como santo (veja Mateus 23:26–28; Marcos 7:21; Romanos 2:1–5). 

O cristão santificado não é hipócrita, mas é alguém que sinceramente procura glorificar a Deus em todas as áreas da sua vida. Os cristãos são como o povo de Israel na antiguidade, que saiu da escravidão para a liberdade.

 Quando os israelitas fugiram do Egito, nada deixaram para trás (Êxodo 10:24, 26); não se deram a opção de voltar para viver no Egito. Quando nós abandonamos a escravidão do pecado, não deixamos uma parte de nós no mundo! 

Agora que você se tornou um cristão, você é santificado. Isto não quer dizer que você é perfeito, mas sugere que você está seguindo a vontade de Deus ao máximo. Indica que você está ansioso por mudar qualquer área da sua vida que precise ser modificada, a fim de que você fique mais parecido com Cristo. Colossenses 3:10 retrata a santificação como uma renovação. O termo grego usado descreve a renovação de uma estrutura, com todas as partes velhas sendo retiradas e tudo sendo substituído, ou feito “novo”. 

Como cristão, você está nesse processo de reforma. Dia a dia, você vai aprendendo o que Deus exige de você em relação ao seu modo de falar e agir. Você está disposto a fazer isso porque sabe que foi separado para o uso pessoal de Deus. 

A IMPORTANCIA DA SANTIFICAÇÃO 

A santificação é crucial para o cristão. 

O Antigo Testamento demonstra que a ira de Deus queima contra os que usam o que é santo da maneira errada (Levítico 10:10; Ezequiel 22:26). A ira divina também é citada no Novo Testamento. Os santos de Corinto haviam permitido que sua santificação se tornasse contaminada. Eles haviam permitido que as tentações do mundo corrompessem a pureza de sua devoção. 

Viver como um santo de Deus não é opcional (1 Pedro 1:13–16); aqueles que não vivem a vida santificada enfrentarão a destruição (Filipenses 3:17–19). Agora que você é cristão, Deus é o seu Pai celestial. Você deve refletir os traços da santa família de Deus. Você faz isso através da sua dedicação à santificação.

CONCLUSÃO 

Tornar-se um cristão é a maior bênção do mundo. A decisão de seguir a Cristo se baseia no entendimento da tragédia do pecado e da graça amorosa de Deus. Ser cristão significa aceitar e usar o “jugo” de Cristo (Mateus 11:29) e viver como um santo. Os cristãos do primeiro século se alegravam na salvação oferecida a eles. Quando aceitaram o convite para serem salvos, eles se dedicaram a serem santificados. 

Em Atos 5:29–42, vemos como o comprometimento deles era praticado. A dedicação de seguir aos mandamentos de Deus era visível. Suas vidas demonstravam como entendiam que a santificação é o estilo de vida de um santo. Sabiam que um estilo de vida santificado trazia alegria para o coração do cristão e paz para sua alma. Independentemente de como era difícil para eles praticarem suas convicções religiosas, a santificação os enchia de coragem e os impulsionava a servir com entusiasmo. É exatamente isso que Deus espera de Seus santos hoje. Deus espera que os cristãos vivam a vida santificada. 

Deus nos chamou para a salvação na nova aliança de Jesus Cristo. Jeremias predisse a vinda da nova aliança, quando Deus mais uma vez contaria o Seu povo assim como os cordeiros eram contados para a oferta dos dízimos (Jeremias 33:1–13). A aliança da santificação que Deus estabeleceu com o antigo Israel ilustra o que Ele nos oferece hoje. 

Vamos ouvir o convite de Deus e atendê- lo com entusiasmo, vivendo vidas santificadas, sabendo que temos o Deus todo-poderoso como nosso Pai! “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa” (Êxodo 19:5, 6). 

A vinda de Cristo cumpriu essas palavras proféticas. Agora são estas as palavras para os cristãos: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9).


Autor: John L. Kachelman Jr. © Copyright 2005, 2010 by A Verdade para Hoje TODOS OS DIREITOS RESERVADOS